Bexiga

Há três tipos de câncer que começam nas células que revestem a bexiga, classificados de acordo com as células que sofrem a alteração maligna:

Carcinoma de células de transição: representa a maior dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga.

Carcinoma de células escamosas: afeta células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas.

Adenocarcinoma: se inicia nas células glandulares (de secreção) que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

Os tumores da bexiga acontecem de forma mais frequente entre fumantes. Quase sempre o primeiro sintoma é sangramento junto com a urina, seja em sangue vivo, urina turva ou coágulos. Diferentes doenças podem apresentar tais sintomas, sejam da bexiga ou de outros órgãos do sistema urinário. Assim, o urologista deve ser consultado se esses sintomas aparecerem.

Boca, Faringe e Laringe

É o câncer que afeta lábios e o interior da cavidade oral. Dentro da boca, devem ser observados gengivas, mucosa jugal (bochechas) palato duro (céu da boca), língua (principalmente as bordas) e assoalho (região embaixo da língua).

Lesões persistentes na boca, faringe ou laringe, como úlceras dolorosas (uma “afta” que não melhora), alteração do hálito, da voz ou da capacidade de engolir (dor para engolir, dificuldade de engolir sólidos) devem ser sempre investigadas, sob o risco de representarem sintomas de câncer nessas regiões. O dentista, o otorrinolaringologista, o gastroenterologista ou o cirurgião de cabeça e pescoço podem ajudar na avaliação inicial.

Canal anal

Os tumores surgem no canal e bordas externas do ânus. O câncer anal é raro e representa de 1 a 2% de todos os tumores do cólon e de 2 a 4% de todos os tipos de câncer que acometem o intestino grosso. Os principais sintomas são dor com ou sem sangramento (que pode ser espontâneo ou junto com as evacuações). A avaliação desses sintomas deve sempre ser feita por um proctologista.

Colo do útero

O câncer de colo uterino é o segundo mais frequente em mulheres em nosso país e possui um modo de rastreio e diagnóstico precoce bastante eficiente: o exame preventivo periódico ou Papanicolau. Os principais sintomas são sangramento vaginal anormal – que pode ser um ciclo menstrual com mais dias ou mais volume de sangramento, por exemplo, dor no ato sexual, corrimento persistente ou alterações urinárias. Além do exame periódico, a visita ao ginecologista em caso de sintomas é essencial para o diagnóstico em fases iniciais.

Colorretal

Abrange tumores que afetam um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. É tratável e, na maioria dos casos, curável, quando detectado precocemente. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino.

Alterações no ritmo intestinal, sangramento espontâneo pelo reto ou junto com as fezes, mudanças no volume, cor ou tamanho das fezes (fezes mais finas, por exemplo) e dor ao evacuar podem ser sintomas de alterações do intestino grosso e devem ser avaliados por um médico.

É recomendado que, ao completar 50 anos, todas as pessoas se submetam a um exame de colonoscopia. Em pessoas com familiares de primeiro grau (pais, irmãos, tios) com histórico de câncer de intestino, o exame deve ser recomendado mais cedo, de acordo com avaliação médica. É um exame indolor, feito sob sedação

Esôfago

No Brasil, o câncer de esôfago figura entre os dez mais incidentes (6º entre os homens e 9º entre as mulheres). O câncer de esôfago está associado ao consumo de cigarros e bebidas alcoólicas, mas também ao refluxo gastresofágico (hérnia de hiato), obesidade, consumo de alimentos muito quentes ou condimentados. Os principais sintomas são dor ao engolir, dificuldade de deglutir alimentos sólidos, emagrecimento, vômitos ou sangramento pela boca. O diagnóstico é feito por um exame de endoscopia digestiva.

Fígado

Entre os tumores originados no fígado, o mais frequente é o hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular. Outros tipos de câncer primário de fígado são o colangiocarcinoma (originado nos dutos biliares do fígado), o angiossarcoma (câncer raro que se origina nos vasos sanguíneos do órgão) e o hepatoblastoma (tumor maligno raro que atinge recém-nascidos e crianças nos primeiros anos de vida).

O câncer de fígado geralmente é confundido com as metástases hepáticas – que são lesões que se implantaram no fígado, mas começaram em outro órgão. Quando a lesão é uma metástase, o tratamento em geral é feito com base no tipo de tumor onde foi originada.

Os tumores que começam no fígado (primários) são mais frequentes em pessoas com doenças hepáticas crônicas, especialmente as cirroses associadas ao vírus da hepatite.

Leucemia

Doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), sua principal característica é o acúmulo de células jovens anormais na medula óssea (responsável pela produção de células que dão origem aos glóbulos brancos e vermelhos e às plaquetas), que substituem as células sanguíneas normais.

Linfoma Hodgkin

Conhecida também como doença de Hodgkin ou linfoma de Hodgkin, essa forma de câncer se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, que produzem as células responsáveis pela imunidade e vasos que as conduzem pelo corpo. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas a maior incidência do linfoma é em adultos jovens, entre 25 e 30 anos. A maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curada com tratamento adequado.

Linfoma não-Hodgkin

Os linfomas são neoplasias malignas, originárias dos gânglios (ou linfonodos), organismos muito importantes no combate a infecções. Há mais de 20 tipos diferentes de linfoma não-Hodgkin. Entre os linfomas, é o tipo mais incidente na infância. Por razões ainda desconhecidas, o número de casos duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos.

Mama

Segundo tipo mais frequente no mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos novos casos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom.

O exame das mamas realizado por profissional médico e a mamografia anual são os principais métodos para o diagnóstico precoce (que aumenta as chances de cura), além do autoexame realizado pela mulher pelo menos uma vez por mês.

Em mulheres com história familiar de câncer de mama ou ovário em parentes de primeiro grau (pais, irmãos, tios), a vigilância deve ser mais especializada, e recomenda-se uma avaliação e consulta com especialista em genética.

Ovário

Não existem sintomas específicos para o câncer de ovário, mas as pacientes podem apresentar dor abdominal principalmente em baixo ventre, “peso na barriga” e aumento do volume abdominal. O importante é que toda mulher possa consultar o seu médico se ocorrerem sintomas persistentes na região abdominal.

Da mesma forma que no câncer de mama, a história familiar de câncer de ovário ou mama em parentes de primeiro grau sugere uma avaliação especializada.

Pâncreas

Os tumores de pâncreas mais comuns são do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença. Raro antes dos 30 anos, torna-se mais comum a partir dos 60 anos e a incidência é mais significativa em homens.

Os tumores do pâncreas estão também associados ao etilismo e tabagismo, mas não apenas. Dor abdominal persistente, diarreia gordurosa, má digestão e emagrecimento são os principais sintomas.

Pele Melanoma

Tipo de câncer de pele que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele) e tem predominância em adultos brancos. Embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil e corresponda a 25% de todos os tumores malignos registrados no país, o prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom, se detectado nos estágios iniciais.

As lesões cutâneas podem ser suspeitas quando apresentarem aumento progressivo, ulceração dolorosa, sangramento, bordas mais brilhantes, escurecimento e descamação. Para qualquer lesão cutânea indeterminada, a avaliação pelo dermatologista pode direcionar os passos para o diagnóstico.

Pele não-Melanoma

É o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Apresenta altos percentuais de cura, se for detectado precocemente. Entre os tumores de pele, o tipo não-melanoma é o de maior incidência e mais baixa mortalidade. O câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, que possuem pele clara e sensível à ação dos raios solares ou doenças cutâneas prévias.

Pênis

O câncer de pênis é um tumor raro, com maior incidência em homens a partir dos 50 anos, embora possa atingir também os mais jovens. Estudos científicos sugerem a associação entre infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano) e o câncer de pênis.

Lesões dolorosas ou não do pênis, como úlceras ou bolhas, devem ser avaliadas precocemente pelo urologista.

Próstata

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Todavia, o surgimento de sintomas urinários em homens com menos de 65 anos também deve ser avaliado por especialista.

Acordar mais à noite para urinar, jato de urina mais fraco, demora para começar a micção, sangramento na urina, além de alterações da capacidade sexual podem estar relacionados ao aumento da próstata, e devem ser avaliadas por urologista.

Apesar de não recomendado para toda população, a visita regular ao urologista para o rastreio (screening) do câncer de próstata pode ser recomendado para populações de maior risco ou que desejem fazer tal acompanhamento. Essas opções devem ser discutidas com o urologista.

Pulmão

É o mais comum de todos os tumores malignos e, em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco.

A interrupção do tabagismo pode ajudar a reduzir o risco de câncer de pulmão, seja em qualquer época. Além do câncer, o tabagismo está associado aos infartos, derrames (AVC), demência, doença arterial e mais de 30 tipos de câncer, como boca, pâncreas, esôfago, estômago, mama e bexiga.

Tosse persistente, expectoração com sangue, emagrecimento progressivo, dor torácica ou surgimento de gânglios (ínguas) devem ser avaliados pelo pneumologista ou cirurgião torácico.

Testículo

Corresponde a 5% do total de casos de câncer entre os homens. Geralmente se apresenta como um endurecimento ou aumento, doloroso ou não, do testículo. Homens com história de criptorquidia na infância (testículo que “demorou a descer”) possuem um risco maior. É um câncer muito curável com o tratamento adequado.

Tumores de Ewing

Grupo de cânceres que afeta primariamente ossos e tecido mole. Inclui o tumor de Ewing do osso (ou sarcoma de Ewing), tumor de Ewing extraósseo (sarcoma extraósseo de Ewing, afeta tecidos moles), tumor neuroectodérmico primitivo (PPNET) e tumor de Askin (PPNET da parede torácica). O diagnóstico é mais frequente entre os 11 e os 20 anos (64%), seguido da faixa até os 10 anos (27%) e 9% entre os 21 e os 30 anos.

Os tumores de Ewing e outras lesões ósseas malignas são incomuns em adultos. Lesões ósseas progressivamente dolorosas e/ou de crescimento contínuo devem ser avaliadas pelo ortopedista quanto à necessidade de abordagem diagnóstica.