8 de Abril – Dia Mundial de Combate ao Câncer

O Dia 8 de Abril é marcado, mundialmente, como o Dia de Combate ao Câncer. Com o objetivo de contribuir com a propagação da informação a respeito do tema, convidamos o Oncologista do Grupo CON, Dr. Tiago Pontes, para falara um pouco sobre os últimos avanços.

Tenha uma ótima leitura!

“O Câncer apresenta-se como um grande desafio para médicos e pacientes em todos os momentos do contato com essa doença. São estimados pelo Instituto Nacional do Câncer(INCA) e Ministério da Saúde a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de Câncer no Brasil em 20181.

Sabemos que fatores preventivos como: adotar uma dieta saudável, a prática de atividade física, evitar uso de bebidas alcoólicas e controle de peso são determinantes na prevenção de neoplasias malignas.

Por outro lado, tabagismo, etilismo e exposição solar imprudente, são fatores carcinógenos eminentemente ameaçadores.

Cabe ressaltar que o abandono do tabagismo reduz o risco de desenvolvimento de Câncer de Pulmão em 20 a 90% e que esse abandono promove uma queda progressiva a partir de 5 anos de manutenção da abstinência2.

A detecção do Câncer em estado inicial tem grandes taxas de sucesso conforme estudo epidemiológico do INCA3.

A Taxa de Sobrevida Global em cinco anos varia de 50 a 80% em diversas neoplasias malignas e pode atingir até 90% para Câncer de Próstata em estadio inicial4.

Sabe-se que o avanço da tecnologia com métodos de imagem como Mamografia 3D e  PET CT para neoplasias malignas são excepcionais no diagnóstico e acompanhamento do câncer. Do mesmo modo, destaca-se também o PET CT de PSMA para neoplasia maligna de próstata e o PET CT com 68Ga-dotatate para Tumores neuroendócrinos.

Assim, surgiram inúmeros métodos elaborados de diagnóstico nos últimos anos, porém é de fundamental importância a realização de exames de rastreio rotineiros tais como mamografia, colonoscopia, endoscopia digestiva alta e Papanicolaou.

Não se pode esquecer também das consultas com as diversas especialidades médicas tais como Ginecologistas e Urologistas na busca pela detecção precoce das neoplasias.

O avanço do tratamento oncológico com novas terapias como imunoterapia e terapia alvo na oncologia trazem importantes resultados nas análises de sobrevida nos diversos estudos. O uso de biomarcadores e Perfil mutacional revoluciona a oncologia e personaliza a terapia oncológica.

Dessa forma, é imprescindível se falar dos anticorpos monoclonais tais como Nivolumabe e Pembrolizumabe que bloqueiam a ligação do receptor de morte celular programada (PD-1) aos seus ligantes PD-L1 e PD-L2 gerando assim a resposta imune contra as células tumorais5.

Com isso, houve grandes ganhos em sobrevida em neoplasias malignas sólidas como melanoma e outros carcinomas como pulmão, bexiga, rim e cólon nos cenários de doença avançada. Além da imunoterapia, há que se falar dos drivers genes em Câncer de pulmão e o seu perfil molecular como EGFR e ALK que possibilitam o uso de medicações da classe dos inibidores de Tirosina quinases (TKI) como Erlotinibe, Gefitinibe, Crizotinibe e Alectinibe (este ainda não aprovado no Brasil) os quais são menos tóxicos e possuem maiores taxas de resposta e sobrevida do que a tradicional quimioterapia baseada em platina6.

Outro item importante são os testes moleculares na busca de biomarcadores através de biópsias de tecido tumoral ou mesmo da biópsia líquida através da coleta de sangue periférico onde se busca DNA circulante de células tumorais7.

Uma novidade recente no Brasil é a aprovação do uso do anticorpo monoclonal anti-VEGFR-2 Ramucirumabe que ocorreu em Março de 2018 para tratamento de carcinomas avançados no Cólon e no Pulmão não pequenas células8,9. Além disso, uma grande inovação veio dos Estados Unidos da América onde em Maio de 2017 foi aprovada a terapêutica antineoplásica agnóstica, a qual está baseada apenas na composição genética do paciente10.

Nesse contexto, o Pembrolizumab foi aprovado nos EUA para adultos e crianças com tumores sólidos que possuem alterações genômicas específicas como a instabilidade microssatélite (MSI-H) ou deficiência na correção de incompatibilidade (MMR). Com esta aprovação, alguns pacientes nos EUA portadores de vários tipos de câncer resistentes ao tratamento ganharam uma opção de tratamento altamente eficaz para controlar a doença, potencialmente a longo prazo. Desse modo, os testes para deficiência de MMR ou MSI-H farão parte do diagnóstico de rotina para muitos pacientes com tumores sólidos nesse país.

Muitas pesquisas promissoras estão em evolução como os trabalhos com Larotrectinibe que tem como alvo seletivo uma anormalidade genômica rara, a fusão gênica da quinase do receptor da tropomiosina (TRK) sendo essa anormalidade detectada em aproximadamente 0,5% a 1% de muitos cânceres comuns. Mais de 90% de certas neoplasias malignas raras, como câncer de glândula salivar, câncer de mama pediátrico e fibrossarcoma infantil, têm fusões TRK11.

Nos estudos com adultos e crianças, a taxa de resposta do tratamento foi de quase 80%.  Da mesma maneira, o Olaparibe, um inibidor de PARP aprovado no Brasil para tratamento de Câncer de Ovário seroso de alto grau avançado com mutação BRCA 1 e BRCA 2 após uso de platina por menos de 6 meses, mostrou benefício no tratamento do Câncer de Mama avançado com mutação BRCA 1 e 212.

Um outro inibidor de PARP, o Rucaparibe está sendo estudado para tratamento de Câncer de ovário com mutação BRCA avançado e tem apresentado bons resultados. Revolução também aconteceu no câncer de próstata avançado onde se viu que a adição de Abiraterona a terapia padrão de privação de andrógenos aumenta a sobrevida e as taxas de respostas com menos toxicidade e melhor tolerância do que a quimioterapia padrão13.

Por final, está se desenvolvendo novas terapêuticas em tratamento com o Glioma grau IV ou Glioblastoma(GBM)como o TTF que se apresenta como uma terapia com campos elétricos de baixa densidade que retardam o crescimento celular através do bloqueio de divisão celular sendo uma opção de tratamento pós cirurgia e quimioradioterapia sendo o risco de morte reduzido em 37% em comparação a quimioterapia isolada.

Além disso , sabe-se o biomarcador genômico, a metilação do gene O6-metilguanina-DNA metiltransferase (MGMT), prevê melhores resultados em pacientes com GBM tratados com quimioterapia e radioterapia14.

Afinal, o tratamento do Câncer é um grande desafio para todos, médicos e pacientes, e o CON está sempre buscando estratégias de qualidade no atendimento integral dos pacientes oncológicos.”

Texto elaborado pelo Dr. Tiago Pontes, Oncologista do CON

Referências

  1. http://www.inca.gov.br/estimativa/2018/estimativa-2018.pdf
  2. Peto R, Darby S, Deo H, et al. Smoking, smoking cessation, and lung cancer in the UK since 1950: combination of national statistics with two case-control studies. BMJ 2000; 321:323.
  3. http://www1.inca.gov.br/situacao/arquivos/ocorrencia_sobrevida.pdf
  4. Migowskil A, Azevedo G. Sobrevida de fatores prognósticos de pacientes com Câncer de próstata clinicamente localizado. Rev Saúde Pública 2010;44(2):344-52
  5. Reck M, Rodríguez-Abreu D, Robinson AG et al. Pembrolizumab versus Chemotherapy for PD-L1-Positive Non-Small-Cell Lung Cancer. N Engl J Med. 2016;375(19):1823.
  6. Lee CK, Brown C, Gralla RJ et al. Impact of EGFR inhibitor in non-small cell lung cancer on progression-free and overall survival: a meta-analysis. J Natl Cancer Inst. 2013;105(9):595. Epub 2013 Apr 17.
  7. Abbosh C, Birkbak NJ, Wilson GA et al. Phylogenetic ctDNA analysis depicts early-stage lung cancer evolution. 2017;545(7655):446
  8. Tabernero J1, Yoshino T2, Cohn AL3 et al. Ramucirumab versus placebo in combination with second-line FOLFIRI in patients with metastatic colorectal carcinoma that progressed during or after first-line therapy with bevacizumab, oxaliplatin, and a fluoropyrimidine (RAISE): a randomised, double-blind, multicentre, phase 3 study. Lancet Oncol. 2015 May;16(5):499-508
  9. Garon EB1, Ciuleanu TE2, Arrieta O3 et al. Ramucirumab plus docetaxel versus placebo plus docetaxel for second-line treatment of stage IV non-small-cell lung cancer after disease progression on platinum-based therapy (REVEL): a multicentre, double-blind, randomised phase 3 trial. Lancet. 2014 Aug 23;384(9944):665-73.
  10. Flaherty KT1, Le DT1, Lemery S1. Tissue-Agnostic Drug Development. Am Soc Clin Oncol Educ Book. 2017;37:222-230
  11. Drilon A1, Laetsch TW1, Kummar S1 et al. Efficacy of Larotrectinib in TRK Fusion-Positive Cancers in Adults and Children. N Engl J Med.2018 Feb 22;378(8):731-739.
  12. Dizdar O1, Arslan C2, Altundag K3 et al. Advances in PARP inhibitors for the treatment of breast cancer. Expert O Pharma. 2015;16(18):2751-8.
  13. Francini E1, Yip S2, Ahmed S2 et al. Clinical Outcomes of First-line Abiraterone Acetate or Enzalutamide for Metastatic Castration-resistant Prostate Cancer After Androgen Deprivation Therapy + Docetaxel or ADT Alone for Metastatic Hormone-sensitive Prostate Cancer. Lin Genit Cancer. 2017 Dec 27. pii: S1558-7673(17)30398-1.
  14. Happold C1, Stojcheva N1, Silginer M1 et al.   Transcriptional control of O6 -methylguanine DNA methyltransferase expression and temozolomide resistance in glioblastoma.J Neurochem 2018 Feb 26.